CARREIRA

TRAJETÓRIA

João Luiz Fiani — uma vida em cena

Do primeiro contato com o teatro ainda adolescente à criação de espaços culturais, formação de milhares de artistas, televisão, cinema, dramaturgia e gestão pública da cultura.

Há carreiras que podem ser resumidas em uma profissão. A de João Luiz Fiani não é uma delas.

Ator, dramaturgo, diretor, professor, produtor, publicitário, radialista, empreendedor teatral e gestor cultural, Fiani construiu ao longo de mais de quatro décadas uma trajetória profundamente ligada à história cultural de Curitiba e do Paraná. Seu perfil institucional atual registra mais de 70 espetáculos profissionais como ator, quatro conquistas do Prêmio Gralha Azul e uma carreira que ultrapassa quatro décadas.

Sua história atravessa diferentes linguagens e funções, mas mantém um eixo constante: o teatro.

1963 — As origens

8 de setembro de 1963 | Palmeira, Paraná

João Luiz Fiani nasce em Palmeira, município dos Campos Gerais do Paraná.

Parte de sua infância e adolescência seria vivida no Rio de Janeiro, experiência que acabaria tendo importância decisiva para o surgimento de sua vocação artística. Em entrevista concedida quando completava 40 anos de carreira, Fiani contou que começou a fazer teatro de maneira amadora entre os 13 e os 15 anos, enquanto estudava no Instituto São Sebastião, em Copacabana.

Imagem indicada para o site: fotografia de infância, adolescência ou imagem antiga de Palmeira. Caso exista arquivo familiar, esta é a melhor localização para uma fotografia inédita.

1976–1978 — O encontro com o teatro

Ainda adolescente no Rio de Janeiro, Fiani entra para um curso de teatro criado dentro de sua escola por uma professora de português que também era atriz.

O que começa como experiência escolar transforma-se rapidamente em descoberta profissional. Ele próprio recorda esse período como o início de sua relação com o palco.

Aqui nasce uma característica que atravessaria toda a sua vida: o teatro deixaria de ser apenas atividade artística e se tornaria profissão, linguagem e projeto de vida.

Frase de destaque sugerida na página:

> “Dos 13 aos 15 eu fiz de forma amadora e, dos 15 em diante, de forma profissional.” — João Luiz Fiani.

 

1979 — O início da carreira profissional

Já radicado em Curitiba, Fiani inicia profissionalmente sua trajetória teatral.

O ano de 1979 tornou-se sua referência de começo de carreira — tanto que, em 2019, comemorou oficialmente 40 anos de profissão.

Nesse período também aprofunda sua formação teatral em Curitiba, passando pelo Curso Permanente de Teatro do Teatro Guaíra e convivendo com uma geração que ajudaria a fortalecer as artes cênicas do Paraná.

Título visual do bloco:
1979 | O palco se torna profissão

Anos 1980 — Ator, formação e multiplicidade

A década de 1980 é um período de construção.

Fiani amplia sua experiência como intérprete, consolida sua formação e progressivamente começa a compreender o espetáculo para além da atuação. Direção, texto, produção e aspectos técnicos do teatro passariam a integrar seu repertório profissional.

Essa característica multifuncional seria uma das marcas mais duradouras de sua carreira: em vez de ocupar somente o centro do palco, passaria a atuar também naquilo que acontece antes, atrás e depois das cortinas.

A televisão também passaria a integrar sua experiência profissional, embora o teatro permanecesse como seu eixo principal.

1989 — Mistérios de Curitiba

Um dos encontros fundamentais de sua história artística ocorre com a literatura de Dalton Trevisan.

Registro oficial da Prefeitura de Curitiba preserva uma fotografia de Lala Schneider e João Luiz Fiani em Mistérios de Curitiba, em 1989, espetáculo baseado no universo de Dalton Trevisan e dirigido por Ademar Guerra.

Esse contato se transformaria em uma das relações artísticas mais importantes de toda a carreira de Fiani.

Décadas depois, ele ainda estaria levando personagens de Dalton ao palco.

Imagem prioritária: a fotografia histórica de Fiani e Lala Schneider em Mistérios de Curitiba. É uma das imagens mais valiosas para esta linha do tempo.

1992 — O Vampiro e a Polaquinha

O universo de Dalton Trevisan volta a ocupar posição central.

Em 1992, o Teatro Novelas Curitibanas recebe O Vampiro e a Polaquinha. A montagem se tornaria uma das referências na história da relação entre Fiani e a obra de Dalton e permaneceria na memória cultural da cidade. A própria Prefeitura de Curitiba retomou esse marco ao anunciar, em 2026, o retorno de Fiani ao mesmo teatro com outro projeto dedicado ao escritor.

Este capítulo merece destaque gráfico próprio no site:

Dalton Trevisan + João Luiz Fiani
Uma relação artística atravessando mais de três décadas.

1994 — Nasce o Teatro Lala Schneider

Este deve ser um dos maiores blocos visuais de toda a página.

Em 23 de abril de 1994, João Luiz Fiani, Luiz Carlos Pazello e Silvia Monteiro fundam o Teatro Lala Schneider. Segundo a própria história institucional do teatro, foi o primeiro teatro particular do Paraná. Dois anos depois, com a saída dos sócios, Fiani assumiu integralmente a condução do projeto.

O nome homenageia Lala Schneider, professora, atriz e uma das grandes referências da formação de Fiani.

O projeto ultrapassaria a função de sala de espetáculos. Com a criação do Núcleo de Profissionalização Teatral, o Lala tornou-se também espaço de formação. O próprio teatro informa que, três décadas depois, mais de 10 mil alunos já haviam passado por seus cursos.

O Governo do Paraná, ao celebrar os 30 anos do Lala em 2024, destacou o espaço como um dos importantes formadores de artistas e reconheceu Fiani como um grande empreendedor da arte paranaense.

23 de abril de 1994

Um palco que se transformaria em legado.

Para o design, eu colocaria aqui uma fotografia grande ocupando toda a largura da tela: fachada antiga ou inauguração do Teatro Lala Schneider.

1995 — Nasce A Casa do Terror

Em 1995 surge um dos maiores fenômenos de longevidade ligados a João Luiz Fiani e à Cia. Máscaras de Teatro: A Casa do Terror.

O primeiro espetáculo nasceu naquele ano. Dez anos depois, em 2005, continuava em cartaz — algo já extraordinário para uma produção teatral brasileira. Na época, o próprio Fiani recordava o número de artistas que haviam participado da saga.

A obra acabaria se tornando parte da identidade popular do Teatro Lala e daria origem a novas versões e desdobramentos.

No site, eu usaria uma transição visual mais teatral aqui:

1995

O terror encontra a comédia — e o público não abandona a sala.

Segunda metade dos anos 1990 — Autor, diretor e criador de repertório

O período marca uma ampliação radical da atividade de Fiani.

Em vez de trabalhar apenas em uma produção por vez, ele passa a desenvolver um repertório teatral permanente, envolvendo dramaturgia própria, adaptações, direção, produção, formação de atores e diferentes gêneros.

Comédia adulta, teatro infantil, adaptações literárias, dramas e espetáculos populares passam a coexistir.

Essa lógica de repertório ajudaria a manter o Teatro Lala em funcionamento contínuo e permitiria que atores encontrassem um espaço permanente para formação e atuação profissional.

Anos 2000 — Produção em escala

A carreira entra em uma fase de grande produtividade.

Espetáculos como Nem Freud Explica, A Tarada do Boqueirão, A Cigarra e a Formiga, As Mocinhas da Cidade e outras produções tornam-se associados ao repertório de Fiani e das companhias com as quais trabalha.

Sua atuação passa a reunir de maneira cada vez mais evidente várias identidades profissionais:

ator · dramaturgo · diretor · produtor · professor · cenógrafo · iluminador · gestor teatral · comunicador

A página institucional atual do Teatro Lala ainda o apresenta como ator, professor, diretor, publicitário e radialista, além de fundador e diretor-geral do teatro.

2007 — Cinema e uma sala de teatro com seu nome

O ano de 2007 merece dois marcos simultâneos.

No cinema, João Luiz Fiani protagoniza Balada do Vampiro, interpretando Nelsinho, personagem criado por Dalton Trevisan. O curta, dirigido por Beto Carminatti e Estevan Silveira, é oficialmente registrado como produção paranaense de 2007.

No Festival de Gramado daquele ano, Balada do Vampiro conquistou os prêmios de Melhor Direção de Arte e Melhor Música.

Fiani também conquistou reconhecimento por sua interpretação em festival latino-americano, prêmio registrado em seu perfil profissional oficial.

Mas 2007 reservou ainda outro símbolo.

Em 4 de outubro, foi inaugurado no Shopping Novo Batel o Teatro João Luiz Fiani, com cerca de cem lugares. O espetáculo escolhido para inaugurar a sala foi Nem Freud Explica, com participação do próprio Fiani e Marino Jr.

2007

Do personagem de Dalton Trevisan à homenagem de ter um teatro batizado com seu nome.

2014 — Reconhecimento do Paraná

Em abril de 2014, duas histórias foram celebradas conjuntamente.

O Teatro Lala Schneider completava 20 anos e João Luiz Fiani recebia da Assembleia Legislativa do Paraná o título de Cidadão Benemérito do Paraná.

A sessão solene foi realizada pela Assembleia em reconhecimento à sua trajetória como ator, diretor e dramaturgo e à importância cultural do Lala.

Para a linha do tempo, esta merece uma fotografia institucional da homenagem.

2015 — Do palco à Secretaria de Estado da Cultura

Em 2015, Fiani entra em outra dimensão da vida cultural: a gestão pública.

Assume o cargo de Secretário de Estado da Cultura do Paraná. Documento oficial de agosto daquele ano já o registra como novo titular da pasta.

A chegada ao governo não acontece sem experiência anterior de representação do setor: Fiani já havia atuado institucionalmente em organizações vinculadas à produção teatral.

A experiência acumulada nos palcos, na criação de empresas culturais, no diálogo com artistas e na administração de teatros passa então a ser aplicada à política pública.

2015

A experiência de quem produzia cultura passa a participar da gestão da cultura.

2015–2018 — Secretário de Estado da Cultura

Fiani permanece à frente da Secretaria de Cultura ao longo desse período.

Documentos oficiais de 2017 o identificam simultaneamente como Secretário de Estado da Cultura e presidente do Conselho Estadual de Cultura do Paraná — CONSEC.

Em novembro de 2018, atas oficiais ainda registravam João Luiz Fiani como secretário estadual da Cultura, confirmando sua permanência na função até a fase final daquele governo.

Para o site, esta parte deve ser apresentada como gestão cultural, evitando transformar a narrativa em propaganda político-partidária. O foco é sua passagem da iniciativa cultural independente para a administração pública.

2019 — Quarenta anos de carreira

Em 2019, João Luiz Fiani chega ao marco de 40 anos de carreira profissional.

Naquele momento continuava atuando, escrevendo e dirigindo. Em entrevista realizada durante o Festival de Curitiba, aparecia com 11 trabalhos como diretor e três como ator somente naquela edição.

É um dado que resume bem sua trajetória: chegar a quatro décadas de profissão não significou entrar em uma fase exclusivamente memorialística.

Ele continuava produzindo.

40 anos

Não uma retrospectiva de despedida, mas mais um capítulo de uma carreira em movimento.

2024 — 30 anos do Teatro Lala Schneider

Em abril de 2024, o Teatro Lala completa três décadas de existência.

O Governo do Paraná homenageia o espaço e destaca sua relevância na formação de profissionais que seguiram para teatro, televisão e comunicação.

O aniversário permite dimensionar o projeto iniciado em 1994: o que nasceu como uma resposta à dificuldade de manter longas temporadas em Curitiba transformou-se em instituição cultural permanente.

O próprio Lala informa atualmente ter formado mais de 10 mil alunos.

Aqui sugiro uma sequência de fotografias:

1994 → anos 2000 → 2014 → 2024

A mesma fachada, o mesmo palco ou diferentes turmas ao longo das décadas dariam enorme força emocional à página.

2025 — Uma nova etapa na Fundação Cultural de Curitiba

Em 2025, Fiani já aparece oficialmente exercendo a função de Diretor de Ação Cultural da Fundação Cultural de Curitiba.

Registro da Prefeitura de maio daquele ano o identifica nessa função durante a abertura da Mostra Solar, na Casa Hoffmann.

Ao mesmo tempo, permanece artista em atividade.

No ano do centenário de nascimento de Dalton Trevisan, dirige Que Fim Levou o Vampiro de Curitiba?, aprofundando uma relação entre literatura e teatro que havia começado décadas antes.

A linha do tempo cria aqui um belo paralelo:

1989 — Fiani em Dalton Trevisan
2025 — Fiani dirige uma nova homenagem a Dalton Trevisan

Mais de três décadas entre os dois momentos.

2026 — Tradição e criação continuam lado a lado

A trajetória chega ao presente sem sinal de encerramento.

Em setembro de 2026, a estrutura oficial da Fundação Cultural de Curitiba continua registrando João Luiz Fiani como Diretor de Ação Cultural.

Mas o gestor continua sendo artista.

No 34º Festival de Curitiba, Fiani aparece assinando direção, cenografia e iluminação de A Noite das Mal Dormidas.

Em A Tarada do Boqueirão, assina texto, direção e iluminação.

Em A Cigarra e a Formiga, aparece novamente como autor, diretor e responsável pela iluminação.

Também retorna ao universo de Dalton Trevisan com Que Fim Levou o Vampiro de Curitiba?, apresentado em março de 2026 no Teatro Novelas Curitibanas — justamente o palco relacionado à história de O Vampiro e a Polaquinha.

É uma síntese singular de sua trajetória: o mesmo profissional ocupa simultaneamente o espaço da criação artística, da memória do teatro e da gestão cultural da cidade.

Hoje

Uma trajetória ainda em construção

A história de João Luiz Fiani não termina em uma fotografia de arquivo.

Hoje ele continua ligado ao Teatro Lala Schneider como fundador e diretor-geral, permanece produzindo e dirigindo teatro, desenvolve atividades de comunicação — o perfil institucional do Lala registra também seu trabalho na BAND/PR — e exerce a Diretoria de Ação Cultural da Fundação Cultural de Curitiba.

De um adolescente que começou a fazer teatro no Rio de Janeiro ao artista que ajudou a criar estruturas permanentes para a cultura paranaense, sua trajetória pode ser lida a partir de várias profissões.

Mas há uma palavra que atravessa todas elas:

Teatro.