SOBRE

Quem é João Luiz Fiani

João Luiz Fiani nasceu em 8 de setembro de 1963, em Palmeira, Paraná. Parte de sua infância e adolescência transcorreu no…
[23:37, 13/09/2026] Alexandre Fiani: João Luiz Fiani

Ator, dramaturgo, diretor, produtor, professor, empresário teatral, comunicador e gestor cultural

Mais de quatro décadas dedicadas ao teatro, à formação de artistas e à cultura do Paraná.

Biografia profissional

João Luiz Fiani de Assis Baptista nasceu em 8 de setembro de 1963, em Palmeira, nos Campos Gerais do Paraná. Ainda criança e adolescente viveu parte de sua formação no Rio de Janeiro, cidade onde teve o primeiro contato decisivo com o teatro. Aos 13 anos, enquanto estudava no Instituto São Sebastião, em Copacabana, ingressou em um curso criado por sua professora de português, que também era atriz. Fiani costuma contar que chegou ao teatro motivado inicialmente pela admiração pela professora, mas foi ali que descobriu uma vocação que se tornaria definitiva. Uma das primeiras peças que assistiu nesse período foi A Cantora Careca, de Eugène Ionesco.

Aos 15 anos mudou-se para Curitiba. Em 1979, deu um dos primeiros passos de sua carreira profissional ao participar de O Jogo da Independência, no Colégio Estadual do Paraná, sob direção de Zélia Hurmann. Posteriormente ingressou no Curso Permanente de Teatro do Teatro Guaíra, importante núcleo de formação profissional das artes cênicas paranaenses. Ali teve contato com artistas e professores que marcariam sua trajetória. O próprio Fiani reconheceria especialmente a influência de Lala Schneider, de quem foi aluno e amigo durante décadas.

Sua formação ocorreu em um dos períodos férteis de consolidação profissional do teatro curitibano. Ao longo das décadas seguintes, Fiani trabalhou com nomes como Ademar Guerra, Oraci Gemba, Oswaldo Mendes, Ivone Hoffmann e Lala Schneider e foi ampliando progressivamente suas funções: deixou de ser apenas intérprete para assumir também a dramaturgia, direção, produção, cenografia, iluminação, sonoplastia, formação de atores e administração de espaços culturais.

Essa característica múltipla tornou-se uma das marcas de sua carreira. O perfil oficial atual do Teatro Lala registra mais de 40 anos de carreira e mais de 70 espetáculos profissionais como ator, além de quatro conquistas do Prêmio Gralha Azul. Outros registros de sua trajetória contabilizam aproximadamente ou mais de uma centena de textos teatrais e centenas de trabalhos de direção ao longo das décadas.

Um artista de muitas funções

Reduzir João Luiz Fiani à definição de ator ou dramaturgo deixaria de fora uma parte considerável de sua história. Sua trajetória documentada abrange:

Área Atuação

Atuação teatral Mais de 70 espetáculos profissionais registrados
Dramaturgia Autor de comédias, dramas, textos infantis e outras obras; fontes registram cerca de 100 ou mais textos
Direção teatral Direção de produções profissionais, infantis, estudantis e de repertório
Adaptação literária Dalton Trevisan, Paulo Leminski, Alice Ruiz e outros autores
Produção cultural Produção de espetáculos, temporadas e projetos
Empreendedorismo teatral Fundação e administração de teatros, companhias e núcleos de formação
Formação de atores Professor e diretor de cursos e núcleos profissionalizantes
Cenografia Criação e direção visual de montagens
Iluminação Créditos de iluminação em diversos espetáculos
Sonoplastia Atividade registrada em seu currículo profissional
Cinema Ator em curtas e longas-metragens
Televisão Novelas, séries, programas e produções regionais e nacionais
Rádio e comunicação Radialista e comunicador
Publicidade Publicitário, atividade registrada em sua biografia institucional
Representação de classe Presidência de entidade de produtores e atuação junto aos teatros particulares
Gestão pública Secretário de Estado da Cultura e, atualmente, Diretor de Ação Cultural da Fundação Cultural de Curitiba

As funções de ator, diretor, dramaturgo, cenógrafo, iluminador, sonoplasta e produtor já apareciam reunidas inclusive na apresentação oficial de sua nomeação para a Secretaria de Cultura do Paraná em 2015.

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O Teatro Lala Schneider e a construção de um projeto cultural

Um divisor de águas na trajetória de Fiani aconteceu nos anos 1990. Ele já havia percebido uma dificuldade recorrente para os grupos curitibanos: companhias podiam passar meses ensaiando uma produção e, diante da escassez de salas, realizar temporadas extremamente curtas.

A resposta foi criar seu próprio espaço.

Em agosto de 1993, segundo relatos históricos sobre a criação do teatro, Fiani identificou um antigo barracão na Rua Treze de Maio, no Centro Histórico de Curitiba. O projeto avançou até que, em 23 de abril de 1994, foi inaugurado o Teatro Lala Schneider, justamente no aniversário da atriz que havia sido sua professora e se tornara uma das principais referências de sua carreira.

O Governo do Paraná reconhece o Lala como o primeiro teatro independente do Paraná e um dos importantes espaços independentes de artes cênicas do Brasil. Em 2024, quando completou 30 anos, a Secretaria da Cultura destacou também sua relevância para a formação de artistas.

O Lala transformou-se em algo maior que uma sala de apresentações. Tornou-se um ecossistema formado por produção profissional, formação de atores, companhias, repertório, teatro infantil e temporadas de longa duração.

Da escola associada ao teatro saíram ou passaram artistas que posteriormente conquistaram projeção nacional, entre eles Marjorie Estiano, Fabíula Nascimento e Kéfera Buchmann.

Fiani continua, em 2026, identificado pelo próprio Teatro Lala como seu fundador e diretor geral.

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Cia. Máscaras e outros projetos teatrais

Sua atividade como empreendedor cultural também esteve ligada à Cia. Máscaras de Teatro, à Metáphora Cia. de Teatro, à Casa de Teatro Edson d’Avila, ao Núcleo de Profissionalização Teatral — NPT e a outras iniciativas de formação e produção artística.

Em determinados períodos, o volume de produção chegou a números excepcionais. Uma reportagem de 2006 registrou 50 espetáculos montados somente em 2005, somando produções profissionais e amadoras.

É um dado que ajuda a compreender uma característica importante de sua carreira: Fiani não desenvolveu apenas projetos isolados. Criou uma estrutura destinada a manter produção teatral permanente, formar elencos, renovar repertórios e prolongar temporadas.

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A Casa do Terror

Entre seus maiores fenômenos de público está A Casa do Terror, criada em 1995.

O que originalmente deveria cumprir uma temporada de poucos meses transformou-se em uma das experiências de maior longevidade do teatro curitibano. A obra originou continuações e, posteriormente, uma versão destinada às crianças, A Casinha do Terror.

Em sua programação de 2026, o próprio Festival de Curitiba apresenta A Casinha do Terror como derivação de um sucesso que chegou à marca aproximada de 30 anos de trajetória, com texto e direção de João Luiz Fiani.

Essa longevidade tornou A Casa do Terror uma peça fundamental para compreender a vertente popular de sua produção.

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Comédia, teatro popular e repertório

Fiani desenvolveu uma relação particularmente forte com a comédia de costumes e o teatro popular, defendendo a capacidade do espetáculo de estabelecer comunicação direta com o público.

Ao mesmo tempo, seu repertório é muito mais amplo do que a comédia.

Ao longo da carreira esteve ligado, como ator, dramaturgo, adaptador ou diretor, a produções como Zumbi, Colônia Cecília, Mistérios de Curitiba, O Vampiro e a Polaquinha, O Vampiro contra Curitiba, Macho Não Ganha Flor, O Carrasco do Sol, O Mágico de Oz, O Inimigo do Povo, Gritaria nos Muros da Cidade, Don Juan, Werther, Nem Freud Explica, A Casa do Terror, Um Chifre Nasceu em Mim, A Tarada do Boqueirão, As Mocinhas da Cidade, A Cigarra e a Formiga, Cem Anos — O Musical, Desejo na Rua das Flores, Virgem Louca, Loucos Beijos, Receita de Curitibana e muitas outras.

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Dalton Trevisan: uma parceria fundamental

Um capítulo à parte na carreira de João Luiz Fiani é sua relação com a obra de Dalton Trevisan.

Fiani tornou-se um dos principais responsáveis pela passagem do universo literário do escritor curitibano para o teatro. Durante anos recebeu autorização direta de Trevisan para encenar seus contos, respeitando uma condição muito específica: o texto deveria permanecer fiel ao original.

Sua trajetória trevisaniana começou ainda como ator. Em 1990 integrou Mistérios de Curitiba, dirigida por Ademar Guerra. Depois participou de O Vampiro e a Polaquinha, produção que se transformou em fenômeno de público. Segundo a Prefeitura de Curitiba, a montagem ultrapassou 800 apresentações e aproximadamente 100 mil espectadores, permanecendo quatro anos somente no Teatro Novelas Curitibanas.

Depois vieram outras incursões pelo universo de Dalton, entre elas O Vampiro contra Curitiba, Receita de Curitibana, O Beijo do Vampiro e Virgem Louca, Loucos Beijos.

A relação artística atravessou décadas.

Em 2025, Fiani criou e dirigiu Que Fim Levou o Vampiro de Curitiba?, em homenagem ao centenário de Dalton Trevisan. A montagem voltou aos palcos em março de 2026, justamente no Teatro Novelas Curitibanas, onde havia ocorrido o fenômeno de O Vampiro e a Polaquinha décadas antes.

Essa continuidade — do jovem ator das primeiras montagens ao diretor responsável por preservar teatralmente o universo de Trevisan — é uma das linhas mais fortes para contar a carreira de Fiani no site.

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Paulo Leminski, Alice Ruiz e a literatura paranaense

A relação entre literatura e teatro não se limita a Dalton Trevisan.

Fiani também adaptou para o palco Agora É Que São Elas, obra de Paulo Leminski. Registros da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais creditam formalmente a adaptação a João Luiz Fiani.

Em 2026, realizou outro projeto relevante: a adaptação e direção de Depois do Beijo, espetáculo baseado na obra de Alice Ruiz, apresentado no Festival da Palavra de Curitiba.